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A Xilogravura de Zoravia Bettiol

restauração, impressão e visibilidade

A exposição apresenta quarenta gravuras de matrizes, criadas entre 1965 e 1998, recentemente submetidas a um meticuloso processo de restauração. Inspiradas na literatura, na mitologia e na história –compõem um amplo painel do universo cultural, social, político, afetivo e intelectual vivenciado por Zoravia Bettiol, que completa 84 anos em 2019.

A gravura é uma das mais significativas expressões de Zoravia, artista multimídia que se expressa também por meio da pintura, do desenho, da arte têxtil, do design, de instalações e de performances. As obras em exposição fazem parte de nove das treze séries temáticas criadas por Zoravia ao longo de sua profícua carreira: Primavera (1964), Namorados (1965), Gênesis (1966), Circo (1967), Romeu e Julieta (1970), Iemanjá (1973), Deuses Olímpicos (1976), Kafka (1977) e Os Sete Pecados Capitais (1987). Para o jornalista, crítico, curador e professor Eduardo Veras, a apresentação dessas estampas quase perdidas funciona também como uma síntese retrospectiva da produção xilográfica de Zoravia Bettiol: “As 40 gravuras que agora vêm a público trazem consigo, portanto, as marcas de pelo menos duas épocas distintas, combinadas sobre a mesma superfície de papel: a de sua concepção original e a de sua reconfiguração como obra”.

A exposição é a etapa final de um projeto financiado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Pró-cultura RS / FAC - Fundo de Apoio à Cultura. O projeto traz uma iniciativa inédita de recuperação do valioso patrimônio xilográfico de Zoravia Bettiol, com a restauração de uma parte considerável das suas matrizes gráficas – são 160 peças restauradas, que possibilitaram a impressão e a exposição das gravuras. A equipe de restauração, coordenada pela própria artista, dedicou-se a limpar as placas, vedar falhas na madeira, unir pedaços e colar novas lâminas de madeira em trechos perdidos pela exposição à umidade, ao calor e às pragas. Esses trechos desaparecidos foram novamente gravados pela artista, num minucioso resgate do desenho original. Também os trabalhos de impressão exigiram rigorosa recuperação da memória das cores utilizadas nas primeiras tiragens e foram produzidas pela artista visando a máxima fidelidade à paleta original. A critério da artista, na reimpressão de uma pequena parcela das gravuras foram feitas algumas modificações cromáticas. Para mostrar ao público todo esse trabalho, a exposição apresenta também algumas dessas matrizes restauradas e painéis contendo imagens e textos que registram o processo de restauro e impressão.

Como forma de contribuir para a ampliação de acervos e a difusão da obra da artista, o projeto também prevê a doação de 48 gravuras para treze instituições de arte brasileiras, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS, o Museu da Gravura Brasileira (Bagé/RS), o Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM, o Museu de Arte Contemporânea José Pancetti - MACC (Campinas/SP), o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP/SP) e o Museu Casa da Xilogravura (Campos do Jordão/SP), entre outros, em cidades de diversos estados do Brasil.

Sobre a artista (texto com colaboração de Eduardo Veras)

Zoravia Augusta Bettiol nasceu em Porto Alegre, em dezembro de 1935, em uma família de ascendência italiana e sueca. Estudou no antigo Instituto de Belas Artes, formando-se em pintura em 1955.

As primeiras xilogravuras da artista remontam a 1956, quando começou a frequentar o ateliê de Vasco Prado (com quem dividiria parte considerável da vida artística e afetiva). Zoravia começou a produzir em um inspirado momento da história da xilogravura que fez surgir grandes mestres no Brasil e no Rio Grande do Sul - onde foram criados o Clube de Gravura de Porto Alegre e o Grupo de Bagé, nos anos 1950.

Em 1959, produziu sua primeira série nessa técnica, “A Salamanca do Jarau”, inspirada no conto homônimo de Simões Lopes Neto. Ao longo das décadas seguintes, consolidou uma admirável trajetória como gravadora, com dezenas de exposições no Brasil e no exterior. Ainda cedo conquistou prêmios importantes, expôs na VI Bienal de São Paulo, em 1961, e obteve largo reconhecimento nacional e internacional, com participações, por exemplo, em bienais e exposições coletivas em Cracóvia, na Polônia (1974), ou em Liubliana, na antiga Iugoslávia (1987).

Foram nove séries diferentes com matrizes de madeira, entre 1965 e 1987, exercitando a verve de ilustradora e contadora de histórias – do lirismo nostálgico do trabalho circense ao peso sombrio do universo kafkiano. Adiante, Zoravia migrou para a serigrafia e passeou por meios sempre diversos, pulando de um ao outro ou justapondo-os. A xilogravura mantém-se como uma das referências maiores de seu percurso inventivo: momento de experimentação e excelência em criação visual.

A Xilogravura de Zoravia Bettiol: restauração, impressão e visibilidade

 

Curadoria: Zoravia Bettiol

Visitação: 28 de maio a 21 de junho de 2019

Horário: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30 às 17h30

Ficha técnica

 

Projeto: Zoravia Bettiol e Lídia Fabrício

Curadoria e Coordenação Artística: Zoravia Bettiol

Restauração de Matrizes: Zoravia Bettiol, Sara Winckelmann e Michelle Dona

Impressão de Gravuras: Zoravia Bettiol, Sara Winckelmann, Michelle Dona e Priscila Martinelli

Direção Executiva: Lídia Fabrício

Consultoria Produção Cultural: Adroaldo Xavier

Design Gráfico: Clô Barcellos

Textos: Eduardo Veras

Fotografia: Gilberto Perin

Assistente de Produção: Cristian Comunello

Expografia: Lídia Fabrício

Montagem de exposições: Lídia Fabrício e Rosane Morais

Contabilidade: KLB Assessoria Empresarial Ltda.

Apoio: Instituto Zoravia Bettiol, Museu Dom Diogo de Souza - FAT/URCAMP e Prefeitura de Porto Alegre

Realização: Cult Assessoria e Projetos Culturais

Financiamento: Fundo de Apoio à Cultura / Secretaria de Estado da Cultura RS

Atendimento à imprensa

 

Juliana Prato | jornalista | 51 98158 3121 |  juliana@adrianamartorano.com.br

Adriana Martorano | jornalista | 51 99213 6558 | adrianamartorano@adrianamartorano.com.br

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